Todos reclamam do preço das casas!

Até terem de vender a sua…!

Não sei muito bem como iniciar este artigo. Já muita tinta correu relativamente a este assunto mas a verdade é que muito possivelmente , vai continuar a ser um dos assuntos do dia nos próximos anos.

Um dos argumentos para este aumento brutal nos preços é o de que há falta de oferta de casas para a procura que existe. Pouca oferta, muita procura , igual a subida de preços. Até aqui, toda a gente percebe a lógica. Há no entanto factores que são menos compreensíveis tais como, a falta de investimento publico na construção de habitação, quer a nível estatal quer a nível autárquico.

A forma como os dinheiros públicos têm vindo a ser utilizados , têm suscitado muito descontentamento porque, como portugueses ,não nos sentimos representados ou protegidos. Afinal pagamos os nossos impostos mas nem por isso vemos garantidos certos direitos. Ter uma casa é um deles, já nem falo de ter uma boa casa mas tão somente do direito a habitar um espaço que esteja ao nosso alcance financeiramente falando. Enquanto países mais evoluídos como a Alemanha ou a Holanda, têm construção comparticipada entre 20% a 30% do seu parque habitacional , por cá estamos em 2% e o objectivo é chegar aos 5%!

De tudo o que leio sobre esta matéria, e também porque trabalho neste sector, chego pois à conclusão de várias coisas. Apesar de toda a instabilidade existente, dificilmente o preço das casas vai baixar. Por cada português que se veja incapacitado de pagar a sua prestação ao banco, haverá dez candidatos, portugueses e estrangeiros para comprar essa mesma casa.

A nova construção por privados será sempre cara , principalmente nas grandes cidades, onde o preço dos terrenos é por si mesmo caríssimo, e a juntar a isto o valor exorbitante de estaleiro, mais as matérias primas, temos a poção mágica para ser impossível construir para a classe média portuguesa.

Portugal é um país apelativo para quem não tem de ganhar cá a sua vida. Por esta razão, os estrangeiros continuarão a procurar o nosso país para viver e para investir. E não podemos proibir ninguém de vir para cá, isso seria apenas estupido . Assim como nós temos o direito de ir para outros países, o mesmo acontece com outras pessoas. O mundo mudou, claramente que mudou!

Por cá, temos que aprender a repensar prioridades, temos que procurar casa onde a podemos pagar. E quanto mais rápido o fizermos, melhor. A subida de preços propaga-se das cidades aos arredores das mesmas. Se comprar agora é ainda possível nessas zonas, daqui a uns anos , não sei! As cidades crescem , mudam, transforma-se. Zonas que há vinte anos atrás eram mortas , hoje são lugares completamente diferentes, cheios de vida e muito valorizados.

Há também outra constatação óbvia, principalmente para quem trabalha em mediação imobiliária. A minha experiencia nos últimos tempos é que quando apresento estudos de mercado, com valores históricos, sim, porque nunca em Portugal os imóveis custaram tanto dinheiro como agora, é muito comum os proprietários, ainda assim, acharem que o valor é pouco. Isto é um facto! Mesmo quando os nºs mostram por A+B um valor exequível de transação , há sempre a tendência para querer mais e mais. Como resultado, os preços sobem, sobem , sobem , pelo menos dão belos títulos de noticia , numa altura em que o jornalismo é feito em vão de escada e que nenhuma investigação aprofundada é feita.

Tudo isto tem um impacto brutal na vida das pessoas e, como profissional , deixo um conselho, se querem comprar uma casa, façam-no logo que possivel pois pelo andar da carruagem, nem os preços vão baixar nem ajuda virá do estado para nos salvar.

Publicado por Margarida Hilário

Sou consultora imobiliária no Porto "O meu trabalho é essencialmente servir os interesses dos meus clientes, sejam eles proprietários ou compradores. Aconselhar e orientar para que as transações imobiliárias decorram sem contratempos e de forma eficaz. Profissionalismo e seriedade são os meus valores principais , eficácia nos resultados a minha ambição! Caso pretenda comprar ou vender a sua casa , contacte-me!"

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